Amor meu:
Não posso esconder o sentimento amargo que está na minha garganta. Mesmo que agora ele já não seja tão mais azedo do que há algumas horas, ele persiste. Persiste porque, como eu disse, meu machismo não permite que você faça o que eu deveria fazer.
Juro que não estou aborrecido ou chateado. Talvez a palavra seja “vergonha” ou “decepção”, tudo comigo mesmo. Como eu também já disse, não se trata de ser presenteado (com o melhor presente da minha vida) por você. Como você mesmo disse, “a gente já tinha combinado isso”. O problema foi meu total esquecimento da data onde comemoramos nossa vida. Não me perdoou e também não quero enumerar desculpas. Dane-se estar escrevendo um monte de artigos, com duas monografias nas costas, colégio e Pós. Você sempre em primeiro lugar!
Como não há a menor possibilidade de voltar atrás e reparar meu esquecimento tolo e infantil, tento com esse texto mostrar como estou feliz com esse simbolismo todo. Estou em casa irradiando alegria pelo quarto. Se pudesse me ver agora, acharia estranho meu sorriso bobo frente ao computador, digitando este texto.
Estou feliz! Acredite, estou muito feliz!
Estou feliz porque a mulher que eu escolhi, descendo a escada, é minha, e hoje ainda mais minha. Estou feliz porque a mulher que eu escolhi ali, descendo a escada, é minha companheira de vida, de intimidades, de confissões, de segredos, de piadas, de conselhos... É minha companheira de vida, uma vidinha de cinco anos. Uma vidinha de cinco anos muito colorida, muito feliz...
Amo você mais do que amo a mim mesmo! Estou completamente disposto a viver com você por mais 650 anos.
Te amo!